Conheça os vencedores das Mostras Competitivas do FENDA.
O júri deste ano foi formado pela artista visual argentina Carolina Fusilier, o crítico e programador Gabriel Linhares Falcão e a multiartista e cineasta Darks Miranda.
Os filmes foram escolhidos a partir de diferentes caminhos de criação, mas têm em comum a capacidade de tensionar as formas do cinema, propor outras relações com a imagem e criar experiências que permanecem para além da sessão.
Nas notas do júri, você confere os caminhos que levaram a cada uma dessas escolhas.
Parabenizamos as realizadoras e os realizadores premiados e a todas as pessoas que fizeram parte das mostras competitivas desta edição.
Filmes Premiados pelo Júri
Juvenília I – nanquim barato, etc.

Unificar desenhos, pinturas, fotografias. Pensar plano a plano em como se sucedem os traços, profundidades, materiais, disposições, cores, de forma que a rápida velocidade nunca oculte o cuidado em cada união, permanecendo um forte senso de composição sucessiva. Nanquim barato e a riqueza da criação de movimento explodem em um filme silencioso e sereno, maduro e juvenil.
Cicatrizes I

Embrulhar-se na noite. Cruzar a escuridão da sala de cinema com a baixa luminosidade em tela. Encontrar-se em um microcosmo silencioso, tanto calmo quanto inquieto. Resta observar as frestas de luz e os poucos contornos visíveis, como olhar cicatrizes de dentro para fora do corpo. Aqui, do corpo de um filme que testemunha seu próprio nascimento.
Amante, Amantes, Amar, Amor (Lover, Lovers, Loving, Love)

Quatro variações ao redor do mesmo radical estruturam o campo para um jogo fílmico. Proposições inauguram cada movimento apresentando as regras a serem seguidas e dribladas obsessivamente. O radical é o amor, palavra a ser animada, assim como a natureza morta e doméstica a ser agitada e impregnada pelo hiperativo espírito do prazer, impresso em cada colocação, arranjo e união. O filme se faz como meio para o deleite compartilhado entre cineasta e espectadores.
Pompa e circunstância (Pompa y circunstancia)

Constrói uma poética que se expande e se desloca, sustentada por decisões formais precisas. O jogo entre luz e sombra, elemento constitutivo do cinema, se torna escorregadio e misterioso, sem deixar de ser político: “Neste país, o sol cai a noventa graus e sem piedade: não deixa você projetar sombra nem olhar para o céu.” O filme estabelece suas próprias condições de ser visto e escutado: as vozes do público leem os textos em voz alta. Esse gesto nos conduz a um cinema performático e expandido, revelando uma sala escura de sombras que leem, se desorientam e se comovem coletivamente.
Menção Honrosa
Agapornis

O amor se apresenta com simplicidade e uma certa inocência domesticada. O sexo com uma explicitez livre, sem vergonha de profanar. Uma relação inter-espécies bagunça os códigos, modela suas próprias particularidades obrigando o espectador a se confrontar e reavaliar. A única certeza: jamais vimos uma relação assim em um filme e jamais veremos outra igual.
