Mostra Competitiva Internacional

Mostra Competitiva Internacional 1

5 de agosto – quarta-feira

16h30 – CINE SANTA TEREZA


Cena do filme SENTIU

Sentiu

(Felt, Blake Williams, 2025, EUA, Canadá, Espanha, 15’)

Um homem vê montanhas e decide recriá-las. Durante uma travessia pelo oeste dos Estados Unidos, observamos lugares familiares sob uma nova perspectiva, e o mundo se perde nas dobras da paisagem.

Cena do filme Canções infantis. Água (benta)

Canções de ninar Água (benta)

(Nursery Rhymes. (Holy) Water, Kazeem-Kamiński, 2025, Áustria, Itália, 4’)

A ilusão do horizonte. Renda branca drapeada sob um mar de azul. O turbilhão do projetor se acalma. “Bruneck, 29 de julho de 1855”. A artista-performática Belinda Kazeem-Kamiński entra no quadro, segurando um medidor da intensidade da luz, olhando diretamente para a câmera. Em vez de embalar o ouvinte para dormir, a obra de Kazeem-Kamiński, Nursery Rhymes. (Holy) Water (2025) de Kazeem-Kamiński desperta uma história colonial.

Cena do filme Estou a Sentir Qualquer Coisa

Estou a Sentir Qualquer Coisa

(I’m Feeling Something, Nuno Pimentel, 2026, Portugal, 12′ 38’’)

Há uma paisagem e há um filme. Um filme com legendas e sons que nos confundem. Presenças e ausências que afinal são enigmas enquanto o tempo passa ou não passa. Houvera pessoas e animais e vento. Mas na inquietação há também riso. Histórias pressentidas com beijos e fugas e caçadores… Clareiras, olivais e os ecos que vencem a passagem do tempo.

Cena do filme A busca da imortalidade

A busca da imortalidade

(La búsqueda de la inmortalidad, Nicolás Zukerfeld, 2026, Argentina, 4’41’)

La búsqueda de la imortalidad é um livro dividido em três capítulos, com 128 páginas. Mas também são 3.420 quadros por segundo, filmados com uma Bolex H16 Rex, em 16 mm. Talvez a busca pela imortalidade seja exatamente isso: uma tentativa de capturar uma totalidade, ao mesmo tempo impossível e fragmentária. E de fracassar.

Cena do filme Aquiles era um twink

Aquiles era um twink

(Henrique Domingues, 2026, Brasil, 9’48’’)

Twink é um efebo sacrificial que insiste em sobreviver como sintoma da memória cultural. A partir de uma reimaginação queer do mito de Eros e Psique, o filme faz uma cartografia dos disfarces que a iconografia do twink utilizou para penetrar a história da imagem.

Cena do filme Flim Flam

Flim Flam

(Siegfried A. Fruhauf, 2026, Áustria, 15’)

O termo “flim-flam” é antiquado e denota um ato de engano, geralmente praticado por um vigarista ou mágico. Para Fruhauf, o cinema também possui essa capacidade. Ele convence o espectador a suspender a descrença e se render totalmente à sua ilusão, mesmo quando é evidente que essa realidade foi construída.

Mostra Competitiva Internacional 2

6 de agosto – quinta-feira

16h30 – CINE SANTA TEREZA

Cena do filme Esconderijos

Esconderijos

(Hiding Places, Magdalena Bermudez, EUA, 12’12’’)

As mulheres fingem ser pedras. As operações militares se disfarçam de educação artística. Uma mulher deserta para buscar um ato mais radical de renúncia ao eu.

Cena do filme dando frutos de carinho, Motivos de Coerência #2

dando frutos de carinho, Fundamentos de Coerência #2

(bearing fruit of fondness, Grounds of Coherence #2, Xin Shen, 2025, Reino Unido, China, 5’40’’)

Filmado no norte da Ilha de Skye, “Bearing Fruit of Fondness” é um filme em preto e branco de 16 mm, revelado manualmente com uma espécie invasora de cotoneaster nativa da Ásia Oriental, que foi trazida para o Reino Unido no século XIX como planta ornamental. Trabalhando com a afinidade elementar, o processo estimula a capacidade de se relacionar com a dor, ao mesmo tempo em que se baseia na compreensão da interdependência, onde o conceito de pertencimento se desgasta por meio de padrões de relações mãe-filho que se estendem à nação e ao cidadão, à terra e ao morador.

Cena do filme Te Seguimos Buscando

Te Seguimos Buscando

(We Keep On Looking For You, Diego Andres Murillo, 2025, Venezuela, 14’)

Uma voz em off narra um “filme triste sobre sua terra natal, a Venezuela”, para ajudar um paciente terminal a ter uma morte mais tranquila. Entre erros de montagem e imagens de arquivo políticas da estranha visita de Kennedy à América do Sul no ano de 61, o pessoal e o coletivo se chocam uma última vez por meio das palavras do poeta Reinaldo Arenas.

Cena do filme Ilha flutuante

Ilha flutuante

(Isla Flotante / Floating Island, Jezabeth Roca Gonzalez, 2026, Porto Rico, Estados Unidos, 4’50’’)

Isla Flotante começa com uma ligação telefônica entre a artista e seu primo, relembrando um comentário do pai de que Porto Rico se desloca alguns centímetros a cada dia. Esse detalhe discreto se transforma em uma reflexão multifacetada sobre o colonialismo — a ocupação dos EUA, a migração forçada, a crise ambiental e o abandono político. Por meio da voz e da imagem, o filme traça as maneiras pelas quais os porto-riquenhos são levados a entrar e sair de sua terra natal, presos entre a memória e a distância imposta. A “ilha flutuante” torna-se tanto uma metáfora quanto uma realidade: sempre amarrada, nunca totalmente livre.

Cena do filme Bípede

Bípede

(Biped, Alexandre Américo e Pedro Vitor, 2025, Brasil, 8’49’’)

Entre tambores e memórias, o Bípede dança o ciclo da vida e da morte, um gesto ancestral de resistência.

Cena do filme Agapornis

Agapornis

(Gustavo Vinagre, 2025, Brasil, 12’58’’)

Num domingo comum, um homem e sua ave partilham café, banho e desejo. Entre gestos íntimos e cotidianos, o filme investiga a linha tênue entre afeto e domesticação, bordeando limites da convivência interespécies.

Mostra Competitiva Internacional 3

7 de agosto – sexta-feira

16h30 – CINE SANTA TEREZA

Cena do filme Fotossíntese

Fotossíntese

(Photosynthesis, Erica Schreiner, 2026, EUA, 8’)

Com o consentimento de Dehlia, comecei a gravar nossas conversas por telefone. Morávamos juntas quando tínhamos 20 anos e agora temos 40. Durante uma ligação, vieram à tona histórias de traumas passados, histórias de agressão e da escuridão da violência. No entanto, por meio das palavras e do silêncio entre elas, encontrei uma nova libertação. No ato de falar e ser ouvida, algo alquímico se desenrola: as histórias que tantas mulheres carregam são tiradas da escuridão e recebem fôlego e luz.

Cena do filme Ecos das Alturas de Kwet Tul

Ecos do monte Kwet Tul

(Ecos del cerro Kwet Tul (Kwet tul wejxa sxwa’w), Sandra Rengifo e Kostas Tsanakas, 2023, Colômbia, 23’32”)

Filme experimental sobre transmissões de rádio a partir de território indígena em uma das regiões mais violentas da Colômbia, realizado com a ajuda e a participação ativa de uma comunidade local. Com música underground contemporânea e gravações de áudio de Minneapolis durante as batidas do ICE como pano de fundo, o filme aborda o peso da história colonial, a produção de fique e a importância do trovão na cosmogonia do povo Nasa, ao mesmo tempo em que destaca suas reivindicações políticas. As imagens se desenvolvem em torno da ideia de que as transmissões de rádio recebem resposta do mundo, tecendo uma linguagem nova e global.

Cena do filme Lima

Lima

(Biviana Chauchi, 2025, Peru, Espanha, 4’)

Lima — travessa, indomável.
Envolta em névoa, contida, mas viva.
Ferida, amada, sempre Lima…

Cena do filme Trivakra

Trivakra

(Sofia Angst, 2025, Brasil, 10’)

As memórias de uma criança são atravessadas por biotecnologias que remodelam o seu corpo e a sua história. A seringa jorrante de um rito travesti de aplicação hormonal inaugura uma falha na matrix do gênero e do vídeo, onde ossos e peles são desmaterializados no ciberespaço.

Cena do filme Círculo da manhã

Círculo da manhã

(Morning Circle/Morgenkreis, Basma al-Sharif, 2025, Alemanha, Canadá, Emirados Árabes Unidos, 20’31’’)

Um curta-metragem narrativo e visceral se desenrola em três partes para retratar a perda. Desde nossa primeira experiência de separação até a violência imperceptível associada à integração em um novo país quando o seu já não é mais habitável, Morgenkreis acompanha um pai e um filho em seus rituais íntimos enquanto se preparam para começar o dia e seguir para o jardim de infância.

Mostra Competitiva Internacional 4

7 de agosto – sexta-feira

18h00 – CINE SANTA TEREZA

Cena do filme Pompa e circunstância

Pompa e circunstância

(Pompa y circunstancia, Daniela Delgado Viteri, 2026, Equador, 11’)

Neste país, o sol bate a noventa graus e sem piedade: não deixa você projetar sombra nem olhar para o céu. A gente já está meio cansada disso. Então, com esses corpos que parecem minúsculos, colados ao chão, e o olhar obrigado a ficar baixo, talvez já esteja na hora de enfrentar todo esse excesso de luz.

Cena do filme Meu Filme Estruturalista

Meu filme estruturalista

(My Structuralist Film, Angelo Madsen, 2026, EUA, 6’18’’)

Como posso atender da melhor forma ao seu desejo de que eu seja visível? Concebido como uma mistura de confessionário e meditação guiada, My Structuralist Film utiliza a performance One Year Performance (“Time Clock Piece”), do artista performático Tehching Hsieh, como estrutura para ilustrar o interior (presumível) do cineasta. Até que ponto um corpo trans deve querer ou precisar ser visível? Em que termos o cineasta é obrigado a narrar, representar ou até mesmo fabricar visibilidade em prol do público? Considerando os limites e as restrições da revelação, este projeto posiciona o ato de olhar não como uma oferta ou uma troca, mas como um desejo neoliberal e capitalista implacável de consumir.

Cena do filme Por que não posso lembrar dos sonhos de meu pai?

Por que não posso lembrar dos sonhos de meu pai?

(Why can’t I recall my father’s dreams?, Mehdi Jahan, 2026, Índia, 11’11’’)

Meu pai costumava falar de um sonho recorrente em que os corpos de jovens homens e mulheres que haviam morrido durante as décadas de violência que assolavam Assam se transformavam em cisnes. Uma vez por ano, eles se reuniam no pátio da casa ancestral do meu pai e entoavam uma melodia poderosa que evocava desespero e esperança em igual medida. Ele acreditava que a canção existia em algum lugar além da memória e passou grande parte de sua vida procurando por ela, convencido de que, se conseguisse relembrá-la, suas próprias feridas poderiam sarar.

Cena do filme Amante, Amantes, Amar, Amor

Amante, Amantes, Amar, Amor

(Lover, Lovers, Loving, Love, Jodie Mack, 2025, EUA, 15’)

As flores dançam e se transformam na água, por meio de efeitos estroboscópicos e sobreposições. Uma reflexão sobre os ciclos da vida por meio da animação botânica, dando continuidade à exploração de materiais de Jodie Mack.

Cena do filme Para sempre, para sempre

Para sempre, para sempre

(Forever…Forever, Johann Lurf, 2026, Áustria, França, 21’)

Ao longo de vinte e dois meses, Johann Lurf fixou o olhar de uma câmera de 65 mm especialmente desenvolvida em um único fragmento do mundo: o Reservatório de Ottenstein. O que começa como uma observação tranquila da natureza transforma-se gradualmente em uma imagem monumental do movimento cósmico. A princípio, o lago parece familiar – um lugar suspenso entre o céu e a água. Mas, à medida que as exposições se prolongam, as próprias dimensões se transformam: as estrelas começam a traçar linhas delicadas, o sol inscreve arcos brilhantes, a lua traça diagonais suaves, quase caligráficas. A superfície da água torna-se um espelho perfeito que reflete o céu e a paisagem simetricamente um no outro – acima e abaixo, luz e sombra, surgindo e desaparecendo.