Mostra Competitiva BH
Melhor filme
Núbia
(Bárbara Bello, 2025, Brasil, 12′)
Pela forma como constrói uma deriva atravessada por atmosferas de desejo e fricção, onde gestos e presenças se revelam e se transformam. O anacronismo da música de Núbia Lafayette junto a fragmentos do pornô contemporâneo criam distâncias e proximidades que instigam um distinto olhar para os fluxos eróticos e sensoriais na (noturna) cidade.

Menção Honrosa
Transe
(Ana Carolina Farina, 2024, Brasil, 2’)
Pelo gesto artesanal da animação, que resulta em uma experiência visual intensa e instável. Um incentivo à valorização das manualidades e da experimentação plástica no cinema contemporâneo, reafirmando a importância de processos que preservam a fisicalidade e a singularidade do gesto criador.

Mostra Competitiva Internacional
Melhor filme
Para Baixo e Para a Esquerda
(Abajo y a la izquierda, Martín Baus, 2025 Chile | Equador | Suíça, 14′)
Por reacender os ritmos, cores, ironias e cintilações do imaginário revolucionário latino-americano por meio da oblíqua e inventiva colagem de arquivos sonoros e visuais. Imagens e sons do passado que, recolocados pelo artista, se contrastam de modo vivaz, ainda hoje, com a cinza persistência do extrativismo neocolonial.

Primeira Menção Honrosa
ULÍA
(Laura Moreno Bueno, 2024, Espanha, 13′)
Pelo uso completo e consciente do aparato técnico, criando, de forma pessoal e poética, paisagens inexistentes a partir de imagens reais. Um trabalho que transforma a colagem e a distorção do espaço em gesto criador, aproximando a abstração do que é potencialmente real.

Segunda Menção Honrosa
Ao Sol, Longe do Dentro
(Al sol, lejos del centro, Pascal Viveros, Luciana Merino, 2024, Chile, 17′)
O experimento técnico e formal não se encerra em si, mas convive com o desejo narrativo. O choque entre o olhar distanciado e a aproximação sonora e visual dos corpos e gestos revela a tensão entre humano e arquitetura. Apesar da aparência de artificialidade rígida e despovoada das construções, Ao Sol, Longe do Centro insiste no olhar para a superfície de uma cidade prenhe de gestos e instabilidade.

Júri

Moira Lacowicz
Artista visual e realizadora audiovisual. Atualmente reside em Curitiba – PR. Cursou Direção Cinematográfica pela Universidad del Cine de Buenos Aires e desde 2017 investiga as possibilidades das artes analógicas por meio de processos alternativos. Seu trabalho inclui mais de sete curtas-metragens e cinco peças de cinema expandido, exibidas em diversos países.

Theo Duarte
Atua como pesquisador, professor e curador. Realizou pesquisas de mestrado (UFF), doutorado (USP) e pós-doutorado (Unicamp/NYU) em torno das relações entre cinema experimental e artes visuais. É autor de Experiências do cinema brasileiro em diálogo com Hélio Oiticica – 1968-1972 (Ed. Relicário, no prelo). Foi co-curador das mostras Germaine Dulac: muito além da vanguarda (CCSP/2023, SESC Avenida Paulista/2023), Cine Brasil Experimental (CCSP/2019, Spcine Play 2020), Visões da Vanguarda (CCBB-SP/2016), Cinema Estrutural (Caixa Cultural/RJ/2014), dentre outras. Foi programador do Cine Humberto Mauro (Belo Horizonte / 2010-2011).

Maria Bogado
Doutora em Comunicação Social, com tese sobre cinema brasileiro contemporâneo, pela Escola de Comunicação da UFRJ. Atuou como professora substituta de cinema na mesma instituição (2023-2024). Já lecionou diversos cursos livres sobre cinema e crítica. Tem publicações de artigos acadêmicos e em revistas e catálogos de cinema e cultura, como Piauí, Cinética, Mostra de Tiradentes, entre outros. Pesquisou epistemologias feministas com publicações no Explosão Feminista (Companhia das letras, 2018) e de co-edição de dossiê dedicado ao tema na Revista Eco Pós. Escreve a newsletter CAIXA LIVRE.
