SESSÕES DETALHADAS E SINOPSES

MOSTRA PIONEIRAS

PIONEIRAS: SOMBRAS DANÇANTES

A sessão Pioneiras: Sombras Dançantes abre o festival, com filmes que buscam construir uma verdadeira dança visual através da articulação entre o corpo e a câmera, no uso da luz ou da cor. Reunimos desde os primeiros registros da dança no cinema, realizados por Alice Guy-Blaché ainda no século XIX, até uma das primeiras animações com silhueta de Lotte Reiniger; dos filmes etnográficos de Zora Neale Hurston no sul dos Estados Unidos até um dos primeiros experimentos abstratos de Germaine Dulac, passando por um estudo coreográfico de Maya Deren e por um marco da tradição dos filmes de dança realizado por Sara Kathryn Arledge. Esta sessão será ao ar livre, na área externa do Centro Cultural Venda Nova, acompanhada pelo duo de música de improvisação belo-horizontino Patrícia Bizzotto e Shari Simpson.

Dança serpentina por Lina Esbrard (Danse Serpentine par Lina Esbrard, Alice Guy-Blaché, França, 1902, 2’) 
A dança serpentina, ou dança da serpente, criada originalmente por Loïe Fuller, teve diversas versões cinematográficas nos primeiros anos do cinema, devido à atração irresistível exercida pelo movimento dos vestidos esvoaçantes. Nesta versão dirigida pela primeira mulher cineasta, a coreografia é performada pela bailarina Lina Esbrard. 

As Escapadas de Pierrette (Les Fredaines de Pierrette, Alice Guy-Blaché, França, 1900, 2’)
Nesta visionária pantomima colorida à mão, uma Colombina, uma Pierrette e uma Arlequina, versões femininas das figuras carnavalescas, fazem uma dança de repulsa, atração e transformação. Brincadeiras bobas e gostosas com final feliz. 

O Ornamento do Coração Apaixonado (Das Ornament des verliebten Herzens, Lotte Reiniger, Alemanha, 1919, 4’) 
O primeiro filme dirigido pela influente animadora alemã Lotte Reiniger é uma dança entre amantes que interagem com um fundo ornamentado. O estilo inconfundível de suas animações com silhuetas, feitas com papel e tesoura, nasce aqui. 

Material de Trabalho de Campo (Fieldwork Footage, Zora Neale Hurston, EUA, 1928, 3’)
A antropóloga, escritora e cineasta Zora Neale Hurston estudou os costumes, as canções de trabalho e a língua vernacular das comunidades afro-americanas no sul do país. Neste trecho, vemos danças infantis captadas pela câmera da primeira mulher negra a dirigir um filme nos EUA.

Mãos (Hände, Stella F. Simon & Miklos Blandy, Alemanha, 1928, 13’)
Um estudo coreográfico feminista a partir do uso das mãos como protagonistas, influenciado pela fotografia de vanguarda europeia e pelas primeiras tradições do cinema experimental. 

Temas e Variações (Thèmes et Variations, Germaine Dulac, França, 1928, 9’“Eu evoco uma mulher dançando. Uma mulher? Não. Uma linha saltitante de ritmo harmonioso. Eu evoco uma projeção luminosa em véus! Matéria precisa! Não. Ritmos fluidos. Harmonia das linhas. Harmonia da luz. Linhas, superfícies, volumes evoluindo diretamente, sem o artifício da evocação, na lógica de suas formas, desprovidos de qualquer sentido excessivamente humano, permitindo uma elevação em direção à abstração e dando assim mais espaço às sensações e aos sonhos: o cinema integral” (Germaine Dulac).

Um Estudo Coreográfico para Câmera (A Study in Choreography for Camera, Maya Deren, EUA, 1945, 3’)
O bailarino Talley Beatty executa uma sequência de dança altamente condensada em uma variedade de ambientes: uma floresta, uma sala de estar e um pátio repleto de esculturas. Como Deren escreveu, a dança é “tão relacionada à câmera e ao corte que não pode ser ‘executada’ como uma unidade em nenhum outro lugar, mas apenas neste filme em particular”.

Introspecção (Introspection, Sara Kathryn Arledge, EUA, 1946, 6’)
Braços, pernas e cabeças desmembrados se movem no espaço da tela. Dançarinos compõem ritmos, em uma orgia de cores, luzes, sobreposições e texturas que é uma verdadeira festa para os olhos. 

Todos os filmes serão acompanhados ao vivo pelas musicistas Patrícia Bizzotto e Shari Simpson. Shari e Patrícia são amigas desde os 6. A paixão pela música também as acompanha desde a infância, e ao longo desses muitos anos de amizade, já experimentaram juntas diversas formações e estilos musicais.

PIONEIRAS: SINCROMIAS

A sessão traz alguns dos primeiros experimentos que buscam criar uma representação visual para as sensações sonoras. O título faz referência ao trabalho de Mary Ellen Bute, cujas “sincromias”, jogos de formas e cores compostos a partir de peças musicais, são uma tentativa de “ver o som”. Reunimos aqui obras de algumas das mais influentes diretoras dos campos da animação e do cinema de vanguarda: Germaine Dulac, Irena Dodalová, Franciszka Themerson, Mary Ellen Bute, Marie Menken e Evelyn Lambart.

Disco 957 (Disque 957, Germaine Dulac, França, 1928, 6’)
Um dos três curtas-metragens “abstratos” que Germaine Dulac produziu no final dos anos 1920 como parte de seu projeto de “cinema integral”, este filme é composto de impressões visuais inspiradas pela escuta dos prelúdios 5 e 6 de Frédéric Chopin. 

Ideias em Busca da Luz (Myšlenka Hledající Světlo, Irena Dodalová, Karel Dodal, República Tcheca, 1938, 9’) 
“Da escuridão nasceu um raio de luz… Uma ideia. Lentamente outras estão se juntando. Elas começam a procurar por um destino simbólico”. Os letreiros inicias introduzem um deslumbrante balé com feixes animados de luz. 

O Olho e o Ouvido (The Eye and the Ear, Franciszka Themerson & Stefan Themerson, Polônia, 1944, 10’) 
Último filme do casal de cineastas poloneses, o objetivo aqui é traduzir som em imagem. São quatro partes baseadas em quatro canções do compositor Karol Szymanowski para o ciclo de poemas Słopiewnie de Julian Tuwin. Cada uma das músicas resulta em diferentes tipos de imagens, além de diferentes tons emocionais. 

Sincromia No 2: Ó, Estrela da Noite! (Synchromy No. 2: O Evening Star, Mary Ellen Bute, Theodore Nemeth, EUA, 1936, 6’) 
Os créditos introduzem o filme como uma tentativa de “ver o som”. A partir da música de Richard Wagner, Bute cria distorções artificiais, efeitos caleidoscópicos e sobreposições, bem como a impressão de profundidade, a partir da reflexão e da refração da luz em superfícies de vidro.

Sincromia No 4: Fuga (Synchromy No. 4: Escape, Mary Ellen Bute, Theodore Nemeth, EUA, 1937-1938, 4’) 
“O primeiro filme colorido de Mary Ellen Bute conta uma história em abstração de um triângulo avermelhado preso atrás de uma grade de linhas verticais e horizontais sob uma extensão azul-celeste. A Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach adiciona tensão dramática às variações visuais em movimento” (Cecile Starr) 

Ritmo em Luz (Rhythm in Light, Mary Ellen Bute, Melville Webber, Theodore Nemeth, EUA, 1934, 5’) 
Os artistas utilizam materiais visuais como o músico usa o som. Linhas formam um arabesco brilhante e imaginativo, performando uma dança ao som da música de Edvard Grieg. 

Tarantella (Mary Ellen Bute, Theodore Nemeth, EUA, 1940, 4’) 
“Este novo meio de expressão é o Filme Absoluto. Aqui a artista cria um mundo de cor, forma, movimento e som no qual os elementos estão em um estado de fluxo controlável: os dois materiais (visual e auditivo) estão sujeitos a qualquer inter-relação e modificação concebível.” (Mary Ellen Bute)

Spook Sport (Mary Ellen Bute, Norman McLaren, Theodore Nemeth, EUA, 1939-1940, 8’) 
É meia-noite em um cemitério. Os personagens principais são fantasmas, monstros, morcegos, sinos e, no final, o Sol. Eles se movem com o ritmo da música. Esta parceria de Bute com o animador Norman McLaren (que aplica aqui seu método de pintura diretamente na película) foi o maior sucesso comercial da cineasta. 

Variações Visuais sobre Noguchi (Visual Variations on Noguchi, Marie Menken, EUA, 1945, 4’) 
Um estudo visual sobre a relação dinâmica entre o movimento do cinema e a forma escultural, através da observação do trabalho do escultor Isamu Noguchi. O trabalho da imagem se intensifica com a trilha sonora dissonante de Lucille Dlugoszewski. 

Fantasia em Cores (Begone Dull Care, Evelyn Lambart & Norman McLaren, Canadá, 1949, 7’)
Utilizando a técnica de intervenção direta sobre a película, Lambart e McLaren pintaram e arranharam o material fílmico para criar uma representação visual do jazz de Oscar Peterson. Sem personagens ou figuras reconhecíveis, o filme inteiro vibra no fluxo da música. 

PIONEIRAS: SURREALIDADES

Um dos campos mais explorados pelas cineastas experimentais pioneiras é o perturbador território dos sonhos e dos devaneios, que encontra aqui variações muito diversas. A sessão traz algumas das mais instigantes explorações dos mundos oníricos em imagens e sons, com obras de Franciszka Themerson, Claire Parker, Rut Hillarp, Lois Weber e Maya Deren.

A Aventura de um Cidadão de Bem (The Adventure of a Good Citizen, Franciszka Themerson & Stefan Themerson, Polônia, 1937, 7’)  
Imbuído do espírito de Witold Gombrowicz e apresentado como um “humorístico irracional”, o filme conta com uma variedade de meios artísticos, incluindo filmagens transformadas de atores, fragmentos líricos cheios de reflexos luminosos abstratos e efeitos pintados diretamente na película.

Uma Noite no Monte Calvo (Une Nuit sur le Mont Chauve, Claire Parker & Alexander Alexeieff, França, 1933, 9’)
Uma sucessão de visões e transformações em torno do Monte Calvo, durante o sábado das bruxas no solstício de verão. O filme marca a invenção da técnica da animação em tela de pinos, na qual uma placa com milhares de pinos móveis pode ser manipulada para produzir efeitos luminosos, sombras e texturas.

As Mãos Brancas (De Vita Händerna, Rut Hillarp & Mihail Livada, Suécia, 1950, 13’)
A partir de um balé com mãos brancas, o filme oferece uma interpretação lírico-surrealista da história de Tristão e Isolda. É uma colaboração entre a poeta Rut Hillarp – autora do poema em prosa no qual o filme é baseado – e o cineasta Mihail Livada.

Da Morte à Vida (From Death to Life, Lois Weber & Phillips Smalley, EUA, 1911, 11’)
Aratus, um químico, inventa um ácido que é capaz de transformar seres vivos em pedras. Fora de seu laboratório ele tem um pequeno lago no qual joga as vítimas de sua experimentação. Um dos mais antigos filmes preservados da prolífica cineasta Lois Weber, um dos nomes mais importantes da era silenciosa de Hollywood.

Ritual no Tempo Transfigurado (Ritual in Transfigured Time, Maya Deren, EUA, 1946, 14’)
“Um ritual é uma ação distinta de todas as outras por buscar a realização de seu propósito por meio do exercício da forma. No ritual, a forma é o significado. Mais especificamente, a qualidade do movimento não é apenas um fator decorativo; é o próprio significado do movimento. Nesse sentido, este filme é dança.” (Maya Deren)

MOSTRA COMPETITIVA BH

COMPETITIVA BH 1

O Cérebro é uma Zona Erógena (Analu Bambirra, Brasil, 2022, 3’) 
Usando recursos estéticos hipnoeróticos, o filme propõe uma outra forma de se ver a sexualidade humana. 

Oblíqua (Helenna Dias, Brasil, 2021, 19’) 
Um conjunto de construções simbólicas, realizadas através de performances da diretora, abordando reflexões sobre a gordofobia, sobretudo, nos corpos femininos. Tais cenas significativas criticam diversas situações e pensamentos gordofóbicos e propõem uma forma de libertação desses estigmas sociais.

Fuligem (Diego Lucas da Cruz, Brasil, 2021, 9’) 
O que sobra de um sonho.

Malou, Malador! (Stephani Mercedes, Brasil, 2021, 19’) 
O trabalho na periferia do capitalismo do mundo ainda pincela sua faceta escravocrata. A vida do povo é um contraste ao desenvolvimento científico tecnológico dos séculos XX e XXI. Um corpo que carrega comida nas costas de barriga vazia, uma voz que grita um socorro mudo. Curta manifesto pela inutilidade da vida.

A Face do Terror em Tempos Pandêmicos dos Amigues de Guignard (Após Vinicius Viana Rafael, Janaina Lages, Josué Sales Barbosa, Brasil, 2022, 5’) 
Ação proposta pelo Coletivo Beira de Colisão. Com intuito de retratar o terror em tempos pandêmicos das pessoas próximas à Escola Guignard, foi proposto o envio de pequenos vídeos que representassem o temor das vivências pandêmicas individuais. Findando esta ação, o coletivo editou as mídias recebidas para dar origem ao filme.

COMPETITIVA BH 2

macaco filho do vento (mutano e tttttuto, Brasil, 2022, 7’)
mãomacacomangaolhoraiosolevento ~ info-respiração saturada, trocas e suspiros.

Jogo de 7 lances (perdido no fabuloso universo dos fragmentos) (Luiz Pretti, Brasil, 2022, 17’)
Reunindo restos de ideias esquecidas, desejos não realizados, e jogando-os ao acaso. Colocando os fragmentos de imagens, sons, músicas e texto em movimento. Um filme situado entre o diário e o ensaio, feito a partir da necessidade de trazer para a prática o que estava paralisado nas ideias, possibilitando conexões.

As Novas Aventuras de Dona Nirvana (Dolores Guión, Brasil, 2021, 3’)
Agora que terminou ninguém te segura mais.

ELA, Imorredoura de nós (Vina Amorim, Brasil, 2021, 8’)
Ela, eu, a coisa que nasce no lugar indevido. A célula que atira, cresce e mata. Ela, a curva que se desvia da norma. Ela que não mente, e se faz presente em cada movimento, experimentando o trânsito de nomear presença e ausência. ELA desobedece o que lhe foi dado no nascimento para ser imorredoura de todas nós.

Da Espécie Fugitiva (Bruno Vasconcelos, Brasil, 2022, 10’)
Um retrato sonoro, falado. Périplo por diferentes espaços do globo. Transitamos junto a Guará Rodrigues e Eid Ribeiro em uma conversa de reencontro, mas de destino incerto. Não podemos sair em viagem ou em errância em uma hora dessas, mas neste filme pedimos carona àquele que não tem pouso fixo.

MOSTRA COMPETITIVA INTERNACIONAL

COMPETITIVA INTERNACIONAL 1

Por Enquanto (For the Time Being, Deborah Stratman, EUA/Espanha, 2021, 6’) 
Nas palavras da diretora, o filme é “uma carta em vídeo para a artista Nancy Holt, em homenagem ao nosso interesse compartilhado por lagos terminais, vistas emolduradas, monumentos e tempo. Estreia Nacional.

Calor da Gota (Júlia Batista, Brasil, 2021, 3’) 
A vampira Soraya vai turistar em Salvador, mas é pega de surpresa por uma onda de calor.

Urubu é o Amigo Desconhecido (Welket Bungué, Portugal/Brasil, 2021, 17’) 
Um casal reencontra-se numa praia algures no Brasil, e os urubus começam a comunicar-se com eles usando a dialética dos seus ancestrais. Urubu é o outro desconhecido, ou a humanização do espectro animal a partir da abstração do humano. Estreia Nacional. 

2020 (Friedl vom Gröller Kubelka, Áustria, 2021, 2’) 
O que se perde quando as bocas estão cobertas por máscaras? No começo, vemos dentes sendo substituídos. Essa natureza-morta abre o filme que tem como título o sinistro ano de 2020. A primeira imagem diz muito: um objeto tabu, quase surrealista em sua solidão, está nu diante de nós. Estreia Nacional. 

Nosferasta: Primeira Mordida (Nosferasta: First Bite, Adam Khalil & Bayley Sweitzer & Oba, EUA, 2021, 32’) 
Dizem que ele tem três aniversários: o dia em que nasceu, o dia em que foi mordido e o dia no qual matou Cristóvão Colombo. Em uma distorção não-linear de 500 anos de destruição colonial, o filme prepara o terreno para a história de Oba, um vampiro imortal Rastafari, e de Cristóvão Colombo, que foi quem transformou Oba em vampiro. Eles trabalham juntos para espalhar a infecção colonial pelo “novo mundo”. Estreia Nacional.

COMPETITIVA INTERNACIONAL 2

Primavera Preta (Black Spring, Tracie Morris, EUA, 2021, 13’) 
A poeta e performer Tracie Morris (responsável, entre outras muitas obras, pelo poema do filme Broken Tongue, de Mónica Savirón) realiza um filme poético experimental sobre desafios, forças, alegrias e comunalidades das populações afro-americanas nas lutas globais por direitos humanos e dignidade. Estreia nacional.

Todas as Suas Estrelas São Apenas Poeira em Meus Sapatos (All of Your Stars Are but Dust on My Shoes, Haig Aivazian, Líbano, 2021, 18’)
A gestão pública da luz e da escuridão como uma ferramenta essencial de policiamento. Criando uma genealogia associativa que vai de lamparinas de óleo de baleia a lâmpadas de LED, de apagões a toques de recolher, o trabalho é composto por imagens de arquivo e material do próprio telefone do artista. Estreia nacional.

Espectro Restauración (Felippe Mussel, Brasil, 2022, 7’)
O espectrograma sonoro de uma queimada no Pantanal. O filme se apropria da frase “La naturaleza tiene derecho a la restauración”, trecho da Constituição do Equador de 2008, que elevou a Natureza (Pacha Mama) à condição de sujeito titular de direitos legais análogos aos dos humanos. Estreia Mundial.

indução ao processo de autodesconhecimento 00001 (aoruaura, Brasil, 2021, 17’)
Primeira parte do estudo para dilatações nos espaços e tempos da memória e do corpo. Resgatando imagens de si em estado de transição, o vídeo acompanha as deformações no corpo de aoruaura.

Copalli (Colectivo Los Ingrávidos, México, 2022, 7’)
Uma dança cinética para os deuses. Aqui está o hieratismo de Tonatiuh (o sol) e a ferocidade de Tlaltecuhtli (deusa da terra) levantando sua agitação da fumaça branca do Copalli queimado, resina sagrada que rasga celuloide com fumaça, cabeleira branca, sobre o fundo negro do mundo. Estreia Nacional. 

COMPETITIVA INTERNACIONAL 3

Policefalia em Ré (Polycephaly in D, Michael Robinson, EUA, 2021, 23’)
Uma densa exploração em colagem da deriva existencial, do trauma coletivo e da queda livre psicológica do momento contemporâneo. Saltando, caindo e encontrando seu novo eu num terremoto. Perdemos uma cabeça para deixar crescer outra. Estreia Nacional.

Jubileu Dourado (Golden Jubilee, Suneil Sanzgiri, Índia/EUA, 2021, 18’)
Terceiro filme de uma série de obras que tratam de memória, diáspora e decolonialidade. A assinatura de Sanzgiri mistura sequências em 16mm, 3D, animação e estética de desktop neste exuberante e fantasmagórico olhar em torno de temas como herança, cultura e resquícios da história. Estreia Nacional.

Água do Riacho que Treme (Agua del Arroyo que Tiembla, Javiera Cisterna Cortés, Chile, 2021, 10’)
Um olhar sobre o rio Diguillín através da objetiva de uma câmera digital antiga. O rastro de luz se apresenta fortuitamente sobre o reflexo do sol na água, traçando infinitos fios de informação luminosa concreta. Estreia Nacional.

Balada do Entregador (Delivery Boy Blues, Willy vvvv, Áustria, 2021, 11’)
O inverno estava muito frio esse ano. Estreia Mundial.

Exibidas (Aló, hiperlinque, Tormenta Cósmica, Brasil, 2021, 10’)
Duas danadas se aventuram em uma putaria pelas ruas, marcando sua passagem com o delicioso líquido do gozo. 

COMPETITIVA INTERNACIONAL 4

Quebrantahuesos (Martín Baus, Chile, 2021, 10’)
Quebrantahuesos é o nome de uma série de intervenções poéticas realizadas em 1952 por Nicanor Parra, Enrique Lihn e Alejandro Jodorowsky, com textos criados a partir de recortes de jornais e colocados nas paredes da cidade. Este filme propõe aplicar este procedimento ao cinema. Estreia Nacional.

Dois Filhos e Um Rio Sangrento (Two Sons and a River of Blood, Amber Bemak & Angelo Madsen Minax, México/EUA, 2021, 10’)
Uma mulher queer está grávida. Uma família composta por duas sapatonas e um homem trans imaginam uma magia erótica que permitirá a procriação baseada apenas no desejo. Juntes, elus encenam um rito sexual público, reconhecendo seus corpos ciborgues como intervenções tecnológicas.  Estreia Nacional.

O Cânion (The Canyon, Zachary Epcar, EUA, 2021, 15’)
Um retrato do desenvolvimento urbano ao cair no esquecimento. Estreia Nacional.

Época não é Nada Demais (Época es Poca Cosa, Tomás Maglione & Ignacio Tamarit, Argentina, 2021, 3’)
Uma câmera tenta empatizar-se com objetos urbanos que herdaram um componente animado. Estes elementos, desconectados uns dos outros, estão ligados através de movimento e montagem de câmeras, que atravessam a cidade em busca de sua forma definitiva. Estreia Nacional.

Sonhos (Chico Lacerda, Brasil, 2022, 39’)
Um documentarista passa a dormir com sua câmera para registrar os sonhos que tem à noite. Estreia Mundial. 

MOSTRA VISÕES: CLARA CHROMA

A mostra Visões se volta para nomes contemporâneos de destaque na cena experimental nacional e internacional, e conta com os artistas convidados em Belo Horizonte para interagir com o público do festival em sessões comentadas e oficinas. Uma das convidadas deste ano é a videoartista, musicista, montadora e cineasta Clara Chroma, responsável por uma das obras mais instigantes do cinema experimental brasileiro contemporâneo, em sua articulação entre apropriação de imagens em baixa resolução, distopia política, ironia corrosiva e psicodelia visual e sonora.

VISÕES: CLARA CHROMA 1

Atlântico Sul 1989 (Clara Chroma, Brasil, 2019, 3’) 
Tudo a mesma coisa.

95 Piscadas por Minuto (Clara Chroma, Brasil, 2019, 5’) 
Nossa equipe de especialistas analisa peculiaridades na expressão do Presidente Collor em 1992. 

Reptiliano 1 (Clara Chroma, Brasil, 2018, 2’) 
Lombras do poder e do dinheiro. Produzido para a peça SUBJUNTIVO, de Livs Ataíde, estrelada por Lux Negre. 

katia abreu passando uma onda pesada de benflogin vencido (Clara Chroma, Brasil, 2021, 1’) 
Glitch espontâneo. Imagens capturadas do filme Martírio. Não confie em ruralistas.

Os anos 3000 eram feitos de lixo ou (quando a dignidade da raça humana se afogou no chorume estático da arte da hipocrisia) (Cleyton Xavier, Clara Chroma e Ana All, Brasil, 2016, 14’) 
Montanhas de lixo pelas ruas. Pessoas cobertas de lixo e se hidratando com chorume. Lixos com um brilho neon. Lixo com holograma e som stéreo. O lixo é um outdoor de alta concorrência. O lixo é a nova moeda e seu lastro é maior que o d’ouro.

2017 vibes (Clara Chroma, Brasil, 2017, 2’) 
Exercício produzido para o curso de Cinema e Audiovisual da UFF, para disciplina da professora Eliany Salvatierra. 

QUEBRA OLHO ou (a inesperada virtude de baldar tabaco) (Cleyton Xavier, Valcosmos Jatala, Clara Chroma, Debz Guerreiro, Vinicius Mantovi, Sofócles Bolówskczïïck, Felipe Soares, Brasil, 2016, 2’) 
Apele para uma balda de tabaco quando tudo der errado.

Pressa (Clara Chroma, Brasil, 2017, 2’) 
Um voo e uma festa. 

Experiência de Pico (Clara Chroma, Brasil, 2017, 4’) 
Videoclipe fragmentado anti-Estado. Imagens de vários protestos de outubro de 2016 a março de 2017. 

Tsunami Guanabara (Cleyton Xavier, Lyna Lurex, Brasil, 2018, 27’) 
A famigerada saga de Cavalona Dishavada.

VISÕES: CLARA CHROMA 2

experimento 16 ou 17 (Clara Chroma, Brasil, 2017, 2’)
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Imaginação I (Clara Chroma, Brasil, 2018, 3’)
1997.

Floresta Espírito (Clara Chroma, Brasil, 2020, 5’)
Uma viagem xamânica pelas entranhas da floresta atlântica.

Pacajus (Clara Chroma, Brasil, 2020, 4’)
Experimentação visual sobre trilha sonora produzida para o filme RODSON ou (Onde o Sol Não Tem Dó).

RODSON ou (Onde o sol não tem dó) (Cleyton Xavier, Clara Chroma, Orlok Sombra, Brasil, 2020, 74’)
São os pré anos 3000. Arte é crime. Refletir é proibido. O governo anarcocrenty comete o engano de achar que a besta estivera sob controle, mas a mente de RODSON® concebe CALEB®, que o lança estrada afora, abandonando ares-condicionados em busca da alucinação perfeita sob o Sol sem dó de 2000°C. 

OFICINA: PSICODELIA VISUAL, COM CLARA CHROMA

Articulando suas pesquisas teóricas sobre psicodelia visual com o uso de inteligência artificial e redes neurais, e demonstrações práticas de seu método de intervenção nas imagens, Clara Chroma trará um pouco de seu processo de criação e algumas ferramentas gratuitas disponíveis. 

MOSTRA VISÕES: LEANDRO LISTORTI

A sessão traz o trabalho do cineasta e curador argentino Leandro Listorti, com quatro curtas-metragens realizados e projetados em Super 8, além do longa-metragem O Filme Infinito (2018), filme-ensaio realizado a partir de fragmentos de filmes inacabados da história do cinema argentino.

Passagens (Pasajes, Leandro Listorti, 2006, 3’, exibição em Super 8)
Percursos em ônibus pelas ruas cinzas de uma grande cidade contrastam com o colorido de um idílio rural. Para onde olham os passageiros?

Amsterdã (Amsterdam, Leandro Listorti, 2008, 3’, exibição em Super 8)
Depois de uma tempestade, um passeio pelas ruas de Amsterdã se torna o registro urbano marcado pelo ritmo de uma câmera defeituosa.

Montevidéu (Montevideo, Leandro Listorti, 2007, 6’, exibição em Super 8)
A capital do Uruguai revela brevemente sua característica de cidade doppelgänger: um único lugar cortado em dois espaços onde dois pares de criaturas exploram os limites do diário de viagem.

Freixo (Fresno, Leandro Listorti, 2014, 3’, exibição em 16mm)
Na mitologia nórdica, a Árvore do Mundo Yggdrasil é comumente considerada como um freixo (fresno, Fraxinus). Os escandinavos tinham uma visão de mundo muito peculiar, onde o espaço não era único nem contínuo, e o universo era composto de mundos diferentes, que podiam ser destruídos e criados.

Petit Daguerre (Leandro Listorti, Argentina/França, 3’, 2018, Super 8, exibição em digital)
Uma descoberta emocionante ocorre ao caminhar pelas ruas de Paris. Parte documentário, parte arquivo emprestado, completamente uma declaração de amor.

O Filme Infinito (La Película Infinita, Leandro Listorti, Argentina, 2018, 54’, exibição em digital)
Realizado a partir de fragmentos de filmes inacabados depositados no Museo del Cine em Buenos Aires, este ensaio fulgurante propõe uma reescrita experimental da história do cinema argentino a partir do inacabamento – ao mesmo tempo tragédia e potência de criação.

CARTA BRANCA A LEANDRO LISTORTI

A sessão, que conta com projeções em Super 8 e 16mm, foi composta com materiais audiovisuais pertencentes ao acervo do Museo del Cine Pablo C. Ducrós Hicken, onde o cineasta argentino Leandro Listorti trabalha como projecionista e programador. Sessão comentada pelo curador.

A Criação (La Creación, Nicolás Rubió, Argentina, 1960, 16mm, 9’)
O artista Nicolás Rubió (Barcelona, 1928) manteve uma ativa produção fílmica entre o fim dos anos 1950 e inícios da década seguinte, paralelamente a sua reconhecida faceta na pintura e no fileteado. A paisagem, tão presente em sua obra, adquire neste curta-metragem uma nova dimensão.

Rapsódia em Abstrato (Rapsodia en Abstracto, Alfredo Rubio, Argentina, 16mm, 5’)
Em preto e branco e utilizando fragmentos musicais de Ponchielli, Zaraza, Delibes e Offenbach, Rubio constrói um exercício que remete às vanguardas dos anos 1920 na Europa Ocidental e às obras de Viking Eggeling, Walter Ruttman e Hans Richter.

Poema Ótico (Poema Óptico, Alfredo Rubio, Argentina, 16mm, 7’)
Com montagem de Enrique Bouchard e assessoria do artista Juan del Prete, Alfredo Rubio acrescenta cor à experimentação formal neste curta-metragem onde desenhos, pinturas e texturas atingem a abstração absoluta.

Estranha Sinfonia (Extraña Sinfonía, Alfredo Rubio, Argentina, 16mm, 4’)
Definido por seu diretor como uma “composição de imagens sobre temas da 3ª e da 7ª Sinfonias de Beethoven”, este curta-metragem de Rubio combina perturbadoramente gravações de cunho amador e familiar com outras de origem menos precisa, para compor uma meditação sobre a vida e a morte.

O Labirinto (El Laberinto, Alfredo Rubio, Argentina, 1966, 16mm, 10’)
Culminação da experimentação formal e musical de Rubio, utilizando muitos dos recursos de seus trabalhos anteriores (sobreposição, movimentos de figuras, montagem vertiginosa) em uma obra que esconde uma narrativa dramática sobre um jovem preso em uma vida do qual ele parece não encontrar saída.

Morte, Não Seja Orgulhosa (Death Be No Proud, Jorge Prelorán, Estados Unidos, 1961, 16mm, 10’)
Este filme é a tese com a qual Jorge Prelorán se graduou na UCLA (EUA). Baseado no décimo Soneto Sagrado de John Donne, é um filme antiguerra composto como forma sonata, presto, adagio e prestíssimo, com prólogo e epílogo. Narra a trajetória de um soldado aterrorizado fugindo de uma batalha através de uma floresta.

A Queda da Casa de Usher (La Caída de la Casa de Usher, Silvestre Byron, Argentina, 1973, Super 8, 3’)
Uma nova versão da história de Edgar Allan Poe por de um dos mais importantes e menos reconhecidos cineastas experimentais argentinos. Como em muitas das suas obras (Campos Bañados de Azul, Capricho), o texto é um ponto de partida para explorações que vão além da mera adaptação cinematográfica.

Mundo Novo (Mundo Nuevo, Simón Feldman, Argentina, 1966, 16mm, 11’)
O filme centra-se na descoberta da América do ponto de vista da imaginação dos artistas da época. Recriadas pela câmera e pela cor, as imagens mostram primeiro o sul da Europa do século XV, depois a viagem pelo oceano desconhecido e, finalmente, a deslumbrante descoberta do homem e da terra americana.

OFICINA: PROJEÇÃO EM SUPER 8 E 16MM COM LEANDRO LISTORTI

A oficina propõe uma iniciação à operação de projetores Super 8 e 16mm, com o objetivo de resgatar essa modalidade de exibição cinematográfica analógica. O ministrante é o cineasta, projecionista e programador argentino Leandro Listorti, que trabalha no Museo del Cine Pablo C. Ducrós Hicken em Buenos Aires. 

CONFERÊNCIA: O CINEMA E O TRABALHO COM OS ARQUIVOS, COM LEANDRO LISTORTI

Além de cineasta, Leandro Listorti é arquivista, programador e projecionista no Museo del Cine Pablo C. Ducrós Hicken, em Buenos Aires. Suas várias atividades se entrecruzam em seu cinema, que se serve de arquivos desprezados de filmes inacabados para redescobrir neles suas histórias soterradas e sua potência cinematográfica. Na conferência, ele abordará as relações entre seu trabalho como arquivista e como cineasta, discutindo as possibilidades de um cinema feito a partir de imagens desprezadas pela história.

MOSTRA HORIZONTES: CAO GUIMARÃES

A mostra Horizontes é dedicada a artistas belo-horizontinos com uma trajetória sólida no campo artístico nacional e internacional. Nesta sessão, serão exibidos oito curtas-metragens do cineasta e artista visual Cao Guimarães, que exibem um olhar delicado sobre a paisagem natural e humana, um trabalho vibrante com as cores e uma intrincada composição sonora, em filmes realizados em várias partes do mundo. 

Coletivo (Cao Guimarães, Brasil, 2002, 3’) 
“Coletivo” – de gente, de ruas, de bairros, de nomes, de ônibus que conduzem gente pelas ruas de bairros de nomes de gente.

Between – Inventário de Pequenas Mortes (Cao Guimarães, Brasil, 2000, 11’) 
Estamos acostumados a falar apenas de uma morte. Como se o limite de uma vida fosse marcado de um lado pelo nascimento e de outro pela morte. Se começássemos a ampliar o conceito de morte, deduziríamos que ela está presente em tudo, em cada micropartícula de uma vida, e que os limites são expansivos. 

The Eyeland (Cao Guimarães, Brasil/Inglaterra, 1999, 11’) 
“Os anos, afinal, tornam-se meio vazios quando vivemos muito tempo em terra estrangeira. (…) Assim, divididos entre dois países, acabamos sem nenhum. Ou somente com aquele pequeno pedaço de um deles… onde, finalmente, repousamos os nossos ossos descontentes.” (Nathaniel Hawthorne)

Atrás dos Olhos de Oaxaca (Cao Guimarães, Brasil/México, 2008, 8’) 
Um pequeno eye-movie pelas estradas do estado mexicano de Oaxaca. Até que os olhos saltem de trás para frente da câmera e todo um povo se condense dentro de apenas uma retina.

Sin Peso (Cao Guimarães, Brasil/México, 2007, 7’) 
O ar que sai do peito em vozes multiformes no comércio das ruas não é o mesmo ar que balança os toldos multicoloridos que protegem do sol e da chuva os donos das mesmas vozes. Dois pesos diferentes configuram o frágil equilíbrio da vida nas ruas da Cidade do México.

Da Janela do Meu Quarto (Cao Guimarães, Brasil, 2004, 5’) 
Da janela do meu quarto eu vi uma rua de areia molhada e debaixo da chuva dois corpos de criança brigavam se amando e se amavam brigando.

El Pintor Tira El Cine a La Basura (Cao Guimarães, Brasil/Espanha, 2006, 5’) 
Filme-gag, filme-joke, a coisificação da tela fílmica. Nota irônica sobre os caminhos que o cinema pode tomar.

Concerto para Clorofila (Cao Guimarães, Brasil, 2004, 7’) 
Conjunção de luz e sombra, formas, cores e texturas que denunciam a inter-relação necessária de tudo que é vivo e vibra.

INSTALAÇÃO: AR

A instalação reúne três trabalhos dirigidos por Cao Guimarães (dois deles em parceria com a artista visual Rivane Neuenschwander) nos quais um mesmo motivo visual recebe diferentes tratamentos plásticos e sonoros. Os filmes Sopro (2000), Nanofania (2003) e O Inquilino (2010), serão projetados em looping em um espaço construído especialmente para o festival, na sala multiuso do Cine Santa Tereza. A instalação contém os seguintes filmes: 

Sopro (Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander, Brasil, 2000, 5’) 
“Sopro” expressa a relação entre o que está dentro e o que está fora. O translúcido multiforme de uma bolha exibe o mundo que a contém e que é contido por ela. A bolha, que nunca explode, é uma metáfora para a continuidade das coisas.

Nanofania (Cao Guimarães, Brasil, 2003, 4’) 
Bolhas de sabão que explodem. Moscas que saltam. O pulsar de micro fenômenos cadenciados por uma pianola de brinquedo.

O Inquilino (Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander, Brasil, 2010, 11’)
O filme descreve a trajetória de uma bolha de sabão que examina as salas vazias de uma casa em reforma. Em suspensão permanente, sem nunca estourar, a bolha flutua de uma sala a outra, investigando cantos vazios e paredes destruídas. Todas as janelas estão fechadas, não há saída. A trilha sonora, composta pelo duo O Grivo, traz sons de casa vazia, presença humana e sintetizadores, imprimindo um aspecto psicológico à narrativa.

MOSTRA HORIZONTES: GRACE PASSÔ

A mostra Horizontes é dedicada a artistas belo-horizontinos com uma trajetória sólida no campo artístico nacional e internacional. Horizontes: Grace Passô reúne experimentos audiovisuais recentes realizados pela premiada atriz, dramaturga e cineasta mineira, que misturam investigações sonoras, uma presença performática do corpo e da voz e um tratamento inventivo de questões históricas relacionadas às vidas negras em diáspora e à nação brasileira.

O Segundo Antes da Coragem – Experimento 1 (Grace Passô & Wilssa Esser, Brasil, 2020, 5’)
Videoperformance comissionada para exibição na temporada “Imagens para mundos depois do fim” da TV Coragem, dentro do programa de performances “corpo-domicílio”. A obra faz parte do acervo digital da web-tv.

Ficções Sônicas 01: Tremores (Grace Passô, Brasil, 2021, 5’)
Em 2020, a convite da 34ª Bienal de São Paulo, Grace Passô concebeu uma instalação como resposta ao enunciado “Corte/relação em Antonin Artaud e Édouard Glissant”. Apoiada no conceito de “ficções sônicas” desenvolvido pelo escritor britânico-ganense Kodwo Eshun, cuja obra mergulha na noção de um pensamento sonoro afrofuturista, este trabalho é a parte fílmica da instalação, que incluía um “rádio-poste” implantado na área externa do Pavilhão da Bienal. Estreia em sala de cinema.

Ficções Sônicas 02: Feitiço (Grace Passô, Brasil, 2021, 55’)
Peça-filme realizada no centro de São Paulo, durante a pandemia. Na história, artistas ocupam o Theatro Municipal e ensaiam uma peça sem público, em busca de um caminho que os desperte da inação e da automação da sensibilidade. A peça-filme faz parte do Projeto Ficções Sônicas, idealizado por Grace Passô, onde uma série de criações artísticas são feitas para experimentar sons e agir a partir das vidas negras em diáspora. Estreia em sala de cinema.